A correção do desalinhamento ocular, Estrabismo, é realizada através de diversas técnicas cirúrgicas em que se busca conseguir um novo equilíbrio dos músculos oculares para permitir um melhor alinhamento ocular.

Para cada tipo de estrabismo existe um ou mais tipos de tratamentos possíveis e cabe ao oftalmologista escolher a melhor indicação para cada paciente. Muito importante para esta decisão é a avaliação pré-operatória do paciente, que geralmente inclui uma avaliação oftalmológica completa e um detalhado estudo da motilidade ocular, realizada por um oftalmologista treinado para este exame.

 

A cirurgia de Estrabismo

A cirurgia de estrabismo é precedida de exames pré-operatórios oftalmológicos e sistêmicos, dependendo das características de cada paciente. A internação se dá, normalmente, no dia da operação e exceto em casos especiais, o paciente não deve se alimentar e nem tomar água no mesmo dia. A cirurgia pode ser realizada com a aplicação de anestesia local ou geral. Opta-se pela anestesia geral principalmente em cirurgias maiores e as realizadas em crianças, que podem ter dificuldade para colaborar com o procedimento caso estejam acordadas.

A cirurgia deve ser realizada sempre em Centro Cirúrgico e este deve possuir toda estrutura para detectar rapidamente e tratar qualquer complicação que possa aparecer durante o procedimento. Tomando-se estes cuidados podemos dizer que se trata de um procedimento muito seguro, com baixos riscos oculares e sistêmicos.

A operação é feita através de micro incisões que permitem a exposição dos músculos extra-oculares, responsáveis pela movimentação ocular. No procedimento o cirurgião altera o equilíbrio de força destes músculos, principalmente com enfraquecimento, fortalecimento e mudanças na posição de ação.

Tudo é feito com utilização de minúsculos instrumentos como pinças, tesouras, compassos, ganchos, entre outros. Geralmente se utilizam pontos absorvíveis, que não precisam ser retirados no pós-operatório. O sangramento durante o procedimento costuma ser muito pequeno.

A cirurgia pode ser realizada em um ou ambos os olhos, dependendo do tipo de estrabismo que paciente apresenta. Alguns procedimentos, principalmente os que envolvem músculos oblíquos, retos verticais e transposições musculares são tecnicamente mais difíceis de serem realizados e precisam ser efetuados por oftalmologistas bem treinados nestas técnicas.

A manipulação da conjuntiva, muitas vezes com realização de transplantes de conjuntiva de um lado para outro do olho, é um passo muito importante para a perfeita recuperação da superfície ocular. Geralmente, após algumas semanas, olhos operados de estrabismo não apresentam qualquer sinal visível da realização do procedimento.

Algumas vezes a cirurgia pode ser realizada com a utilização de aplicação de toxina botulínica A (Botox®), o que  torna o procedimento muito mais rápido e com recuperação muito mais tranquila. Infelizmente, para a maioria dos casos a cirurgia tradicional ainda é a mais indicada pelos resultados mais previsíveis.

 

Procedimentos e cuidados pós-cirúrgicos na Cirurgia de Estrabismo

Terminado o ato cirúrgico, o paciente retorna ao quarto com um curativo sobre o olho operado, quando realizado procedimento com anestesia geral muitas vezes já pode sair sem curativo, e geralmente recebe alta no mesmo dia.

Dores moderadas são habituais e costumam ser controladas com anti-inflamatórios e analgésicos tomados por via oral. Alguns pacientes podem reclamar de sensação de corpo estranho, “areia nos olhos”, principalmente pela presença dos pontos, mas costuma melhorar dentro de poucos dias.

Outra coisa que pode chamar atenção no pós operatório é a presença de lágrima róseo-sanguinolenta. Esta característica desaparece dentro de 1 a 2 dias e está presente na maioria dos pacientes operados. Alguns pacientes podem perceber visão dupla (diplopia) nos primeiros dias de pós operatório, mas isto costuma desaparecer na primeira semana.

O alinhamento ocular fica instável nos primeiros dias e geralmente o resultado final somente pode ser visto após 2 semanas da cirurgia.

É importante que paciente faça repouso relativo nos primeiros dias após a cirurgia, principalmente evitando pegar pesos pelo risco de se soltarem os pontos. Cuidado também deve ser tomado com limpeza das mãos e ambientes para se evitar risco de infecções. Banhos em piscinas e mar devem ser evitados nas 3 primeiras semanas.

Uso de colírios com antibióticos e anti-inflamatórios ajudam à recuperação ocular e devem ser aplicados dentro dos olhos, mesmo que para isso seja necessária abertura manual das pálpebras. Muito importante também é a realização de limpeza palpebral para se evitar acúmulo de secreção que pode facilitar infecções. Esta pode ser feita com uso de gazes e soro fisiológico (novo) ou água fervida.

Seu oftalmologista poderá ajudar com dúvidas adicionais.