Graças aos avanços da oftalmologia, nos últimos anos isso tem mudado. Atualmente, podemos contar com cinco grupos de medicamentos que podem ser combinados em associações (com dois tipos de drogas no mesmo frasco) e utilizados em poucas doses diárias, o que traz um conforto muito maior aos pacientes. Dispomos também de modernos procedimentos cirúrgicos como implantes de drenagem e de fluxo, de cirurgias não penetrantes (menos invasivas), além da utilização cada vez mais precoce do tratamento a laser devido à previsibilidade e aos bons resultados encontrados a longo prazo.

Podemos dividir o Glaucoma em dois grupos principais: o Glaucoma de ângulo aberto que causa 80% dos casos e o Glaucoma de ângulo estreito, que é responsável por 15 % dos casos no Brasil.

Os portadores de ângulo estreito, situação em que o tecido responsável pela drenagem do líquido do olho, chamado malha trabecular, é estreitado devido à sobreposição da íris, além da cirurgia, podem se beneficiar da iridotomia a laser, procedimento que cria uma via para facilitar a circulação de líquido dentro do olho, impedindo o aumento agudo da pressão intraocular. É um procedimento rápido e bastante seguro e que quando bem indicado pode realmente levar à cura do paciente.

Já os portadores de Glaucoma de ângulo aberto têm, atualmente, à disposição, lasers mais eficientes para a realização da trabeculoplastia a laser. Esse é um procedimento que aumenta a drenagem de líquido do olho por aumentar os orifícios do trabeculado, fazendo com que mais líquido possa sair do olho e com isso reduzindo sua pressão. Sem a modificação dos medicamentos em uso, conseguimos reduzir a pressão intraocular em até 30%, e em 50% dos casos, este benefício pode durar mais que cinco anos. Algumas vezes, é até possível suspender o uso de medicações em alguns pacientes.

Aliando os benefícios de uma cirurgia à efetividade do laser, temos a Endociclofotocoagulação a laser, que é um procedimento cirúrgico indicado aos pacientes que necessitam de uma cirurgia para controlar sua pressão intraocular e, consequentemente, o Glaucoma. Este laser atua na região do olho que produz o líquido intraocular (humor aquoso), diminuindo sua produção e, consequentemente, diminuindo a pressão. Esse procedimento é realizado nos Estados Unidos há mais de 15 anos e, aprovado pela ANVISA, proporciona bons resultados no controle do Glaucoma em longo prazo, sem as inconvenientes complicações relacionadas aos implantes e às cirurgias de drenagem, cirurgias mais difundidas para o tratamento da doença.

Devido a essas inovações no tratamento do Glaucoma, podemos, com segurança, afirmar que se o Glaucoma for diagnosticado precocemente, o acompanhamento for feito de acordo com os critérios corretos e relacionados ao estágio de comprometimento ocular e se forem utilizados os tratamentos disponíveis na medida em que surjam alterações clínicas, o risco de perda visual se torna cada vez mais distante e o paciente poderá usufruir de boa qualidade de vida ao longo de toda sua vida.