Neste sábado, 26, é celebrado o Dia Nacional do Diabetes. Entenda mais sobre como a doença pode afetar a retina

O diabetes mellitus (DM) é uma epidemia mundial cuja incidência vem aumentando de forma relevante ao longo dos anos. Duas formas de diabetes mellitus são reconhecidas. Apesar do nome, são doenças diferentes, que possuem em comum: o excesso de açúcar no sangue.

O tipo 1, previamente conhecida como forma juvenil ou insulino dependente, caracteriza por um ataque equivocadamente do sistema imunológico as células beta presentes no pâncreas, levando a uma deficiência grave de insulina. Tipo 2, previamente conhecida como forma do adulto ou não insulino dependente, caracterizado quando o organismo não consegue utilizar adequadamente ou não produz quantidade suficiente de insulina. Aproximadamente 90% a 95% de todos os pacientes com diabetes têm o tipo 2.

Prevalência da Retinopatia Diabética

A retinopatia diabética apresenta uma prevalência mundial estimada em 34.6% (cerca de 93 milhões) de pessoas acometidas e está entre as maiores causas de cegueira irreversível, atingindo de forma impactante os pacientes diabéticos em idade produtiva.

Segundo pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas divulgada pelo Ministério da Saúde em 2017, o número de brasileiros diagnosticados com diabetes cresceu 61,8% nos últimos 10 anos, passando de 5,5% da população em 2006 para 8,9% em 2016. A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que a doença mata 72 mil pessoas por ano no Brasil e é responsável pela cegueira em 1,8 milhão de pessoas em todo mundo.

É estimado que 1 em cada 12 pessoas acima de 40 anos de idade com diabetes apresenta algum grau avançado de comprometimento retiniano que pode ameaçar a visão causado pela retinopatia diabética incluindo edema macular diabético ou retinopatia diabética proliferativa.

A cegueira está associada à fase avançada da retinopatia diabética representada pela retinopatia diabética proliferativa  e suas manifestações:  neovascularização na retina ou no disco óptico, hemorragia pré retiniana ou vítrea, proliferação fibrovascular que pode resultar em contração e descolamento de retina

Sintomas

Os sintomas iniciais relatados pelos pacientes costumam ser: Visão borrada ou distorcida; manchas, como moscas ou linhas flutuando na visão; e áreas escuras na visão.

Exame Clínico

Pessoas com diabetes tipo 1 devem ser avaliadas anualmente com exame de fundo de olho para avaliação de acometimento retiniano após 5 anos do diagnóstico da doença  e aquelas com diabetes tipo 2 devem ser examinadas já no momento do diagnóstico e anualmente a partir de então.

Pacientes diabéticas que tornam-se gestantes devem ser avaliadas precocemente já no início da gestação. Mulheres não diabéticas que desenvolvem diabetes gestacional apresentam baixo risco de desenvolverem retinopatia diabética.

Tratamento

É muito importante que o paciente tenha um bom controle do diabetes, associado à mudança nos hábitos alimentares e estilo de vida. O diagnóstico precoce e o tratamento imediato do edema macular diabético, quando indicado, podem prevenir a piora da visão e a cegueira. O tipo de tratamento deve ser orientado por um oftalmologista e, normalmente varia de acordo com o tipo e a gravidade da retinopatia. Por isso, é importante o acompanhamento médico regularmente. 

*Kátia Delalibera Pacheco, médica oftalmologista do CBV – Hospital de Olhos. Especialista em oftalmologia conferido pela Comissão Nacional de Residência Médica do Ministério da Educação e Cultura (CNRM/MEC), pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e Associação Médica Brasileira (AMB). É também especialista em retina. Membro Titular da SBRV (Sociedade Brasileira de Retina e Vitreo) e Post- doctoral research Fellowship- Wimer Eye Institute, Johns Hopkins University School of Medicine, Baltimore-MD, USA.